Casinha de Sapê

Casinha de Sapê





"Levante as mãos para os céus, e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você; na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê". - ("Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda" - Hyldon)


Saudades de tempos que não vivi. Tempos que até mesmo nas "músicas do mundo" os valores pareciam não estar invertidos. E amar era mais importante que o "ter" ou o "ser". E ter alguém para amar, e ser amado por alguém era mais importante do que as posses, ainda que fosse em uma casinha de sapê...

Hoje os tempos são outros. As músicas do mundo pregam ostentação, a moda é balançar os "plaques de cem" dentro do Citröen, pra ver se as novinhas vem. Na verdade, a simplicidade encontrada nas músicas do mundo de antigamente já está ficando rara até mesmo no evangelho que pregamos hoje, onde todo o nosso relacionamento com Deus se empobreceu, e tudo o que queremos do Pai é saber o que ele pode nos dar hoje.

Eu sei que não é fácil quando o imposto de renda morde parte do salário, o cheque especial abocanha outra parte, o aluguel morde a outra é você fica com as migalhas. Ou pior ainda, quando seu filho doente está nos seus braços e você está esperando a ambulância do hospital público, porque o desemprego levou embora o seu plano de saúde. Em dias vorazes como os de hoje está cada vez mais difícil manter a singeleza, a gentileza, o romantismo e a poesia de letras assim.

Mas a pergunta desse texto é: quão selvagem essa selva está nos deixando? Romanos 12 diz que não devemos nos amoldar aos padrões deste mundo, mas o quanto nós ja nos amoldamos? Será que as provas estão nos deixando rudes, interesseiros, gananciosos? Será que a Noiva de Cristo aceitaria casar com o Noivo se fosse pra morar numa casinha de sapê? Ou só se a palavra prometer a mansão no bairro nobre?

São essas respostas que definem o Evangelho que estamos pregando e vivendo. E até as canções que estamos produzindo. Amamos reclamar das "músicas gospel", mas a nossa vida não está tão diferente delas, não é? Queremos prosperidades, vinganças, queremos ver o anjo, mas sem um relacionamento com o Cristo. Um relacionamento humilde, desinteressado, despreocupado. Pondo a mão no arado sem olhar para trás, vendendo todos os nossos conceitos e O seguindo de mãos vazias, matando o nosso "eu" e renascendo em espírito, deixando o vento do Espírito nos levar para onde Ele quiser. Ainda que seja para uma casinha de sapê.

No fim, o trecho canção mundana que citei acima me parece ser mais cristã do que muita pregação de hoje em dia...

(Bruno Anastacio)

Lembra-te

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